Miller´s Crossing – 1990

Cinema e quadrinhos compartilham muitos elementos e convenções, alguns criados em paralelo, outros migrando de uma linguagem para a outra. Vendo esse filme pouco conhecido dos Coen, tive ganas de anotar visualmente algumas coisas que me impressionaram muito.  Sem grandes explicações. Fiquei tentado a fazer um desses diagramas de livro de arte mostrando como as composições funcionam perfeitamente e tal, mas resisti. Acho que o exemplo em si já vale.

Essa cena é de uma clareza narrativa assombrosa. Takes do rosto do menino e do homem morto se alternam, criando um humor de filme mudo. A composição na cena de baixo é fabulosa. Entre uma e outra, o menino rouba a peruca do morto e foge.

Nessa sequência acima o que me encanta, mais do que composição, é uma coisa que Toth chamava de staging. Não sei o que seria uma palavra boa para isso em português. Uma maneira de posicionar os personagens em cena, com um ritmo visual. A maneira como se alterna um ator mais alto com outro mais baixo ou como se distanciam entre eles para criar uma cena agradável e onde o olho possa se mover sem impecilhos. Fundamental em cenas com vários personagens.

E acima, simplesmente umas composições e enquadramentos finíssimos.

Além de todo o raciocínio narrativo deles, o filme é fotografado por Barry Sonnelfeld, diretor em gestação. Cada frame é um exemplo de enquadramento e funcionalidade, do tipo que se encontra nos quadrinhos de Toth ou em alguns filmes mais antigos. Coisa para se estudar.

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