Então estou alimentando a idéia de que esse lugar aqui volte a ser alguma coisa, um posto  avançado no meio do deserto pós-apocalíptico do real. Algum dia aquele shopping chamado facebook vai ruir e vamos estar todos embaixo do sol de novo mesmo e terei esse esplêndido bunker aqui, com vista para o nada. O facebook tem coisas inquietantes, como ser frequentado por sua mãe, seu contador, seus clientes… é meio perturbador. Você se vê censurando coisas. Ficamos como uma pequena sociedade secreta aqui. E o que é aqui escrito e mostrado não precisa entrar em um concurso de popularidade.  É como um desenho ou poema pintado num muro da Roma antiga, visível pra quem passa por aquela rua em particular.

De resto? Perdido, perdido, perdido. Tentando uma história longa de novo, sem nenhuma certeza de que eu seja de fato um narrador ou mesmo um quadrinista. Também não sou um cartunista. Nem um pintor. Um pouquinho de cada um. O que, somando, não dá muito. Ou dá, mas é um resultado confuso, uma conta quebrada. Sei que não ajuda minha causa. É mais fácil quando você é uma coisa. Mais confortante para as pessoas saberem o que esperar de você. Mais eficaz para os negócios. Mas, como dizia o Popeye, I yam what I yam.

Saludos.

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2 thoughts on “

  1. maria lucia says:

    Desde que recebi de minha amiga Helena Jansen aquela sua crônica sobre como entrar no studio, e tendo continuado a passear pelo seu blog de vez em quando, tenho plena convicção de que você é um conjunto de “coisas” interessantes, ou seja, coisas que despertam o interesse dos leitores.
    Na época, visualizei uma caixinha com 365 folhas com textos como aquele, com desenhos, com sua coleção de facetas e habilidades, tudo muito sutil. E disse que eu poderia ser sua revisora, caso fosse publicar. Continuo dizendo.
    Se morássemos na mesma cidade, eu também poderia ser uma interlocutora e ouvinte interessada e acostumada a dar feedbacks para pessoas em estado de perplexidade existencial, crônica ou circunstancial. (não sou psicoterapeuta, apenas uma humana que está por aqui há muitas décadas e que curte barbaramente os humanos).
    [Parênteses: Estou fazendo mais ou menos este papel com um jovem artista de 20 anos – ou melhor, com um jovem de 20 anos que ainda está se convencendo de que é um artista -, e gostando imensamente da tarefa. No caso dele, resultará em um livro daqui a alguns meses, composto a partir de muitas horas de conversas gravadas que venho tendo com ele, com a mãe, com a psicoterapeuta, com a irmã, contando como foi/está sendo a passagem dele de criança problema, adolescente sem futuro, ritalinado, etc, para a vida de jovem adulto que ainda está se gestando, terminando de se gestar, pois chegou prematuradamente a este mundo, parido uns 20 anos antes da hora. .Fecha parênteses].
    Seus textos e seus traços, Odyr, têm uma delicadeza que acho tocantes. Há algo muito direto, cristalino, na sua comunicação. Não sei se isso é vendável, comercializável, se é chique, mas que é belo, não tenho dúvida de que é. Se quiser conversar sobre essas coisas, conversemos, pode usar meu email.
    Um abraço, e tudo de bom!

  2. odyr says:

    Que linda resposta, Maria Lucia. certamente é uma fantasia recorrente, ter alguém que interpretasse nossos esforços sem rumo. No final, acho que faz parte do trabalho da arte, achar seu caminho no sem fim de estradas que aparecem. Mas grato.

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