Dias Negros

Em um dia apropriadamente frio e chuvoso recebi em minhas mãos ansiosas os primeiros exemplares de Dias Negros, álbum de quadrinhos publicado por Dead Pop na Argentina, onde tive o prazer de ser o brasileño infiltrado. Com um desenho original de Damian Connelly como cereja do bolo.

Damian é a mente criminosa por trás dessa conspiração internacional. Máquina narrativa furiosa que a Irlanda depositou em Buenos Aires, impossível listar aqui quantas histórias  está escrevendo ao mesmo tempo. Tenho impressão de que metade dos desenhistas de Buenos Aires trabalham para ele agora. Talvez em algum porão assombrado. Sendo ele mesmo um desenhista fino, como se vê na foto acima.  Em tudo que escreve, um desejo de trazer sangue novo ao maquinário pulp do passado – policiais, fantasmas e personagens atormentados  em busca de redenção.

Dias Negros é uma coleção de histórias curtas que se passam na chuvosa cidade de Winchester, com pequenos fios que amarram os relatos entre si. A mim me tocou desenhar Ed Carter (acima), um detetive que vê fantasmas e que Damian tem o projeto de desenvolver em novas histórias (si, si, si). A história me chegou quando estava em um momento de renovação do processo de trabalho, incluindo a pintura no processo e assim resulta que não se parece com nada que eu tenha feito antes.

As primeiras resenhas que apareceram do livro foram gentis com o estrangeiro infiltrado e comentaram uma influência do grande, grande Breccia, que prontamente admito. E é para mim é uma alegria sair lá, porque a Argentina foi tremendamente importante em minha formação. Além de Cortazar, Borges, Arlt, Bioy e outros grandes, parte de meus primeiros impactos significativos com quadrinhos na juventude foram umas edições de Skorpio que meus pais me compravam em férias no Uruguai e todo um mundo de preto e branco se abriu ali pra mim.

De resto, estou em fina companhia. Me encantou o trabalho de Matias San Juan (abaixo) também autor da capa e do design do livro. A história que Matias desenha é das que mais gosto no livro. Depois de Ed, por quem claro, tenho uma certa parcialidade.

Também temos o grande Berliac, Renzo Podesta, Diego Simone e Loris Z (abaixo), que traz um minimalismo gráfico mais arejado para esse livro sombrio. Não há previsão do livro ser lançado no Brasil, então se a coisa lhe interessa, dê uma olhada no rico site de Dead Pop e descubra se eles enviam para os trópicos. Há um segmento bacana de histórias online sendo desenvolvidas no site.

E se você está nas  redes sociais, pode acompanhar as atividades de Dead Pop no facebook.

Abaixo, a bela capa de Matias San Juan.

Y gracias, Argentina y Damian, por todo.

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