O Estranho Caso do Magritte Maker

Diário de bordo, data estelar incerta – Reconheço agora que minha vaidade intelectual pode ter me levado a criar algo potencialmente perigoso para a humanidade. Depois de uma série de testes em ambientes controlados e longos momento de admiração frente à obra, me senti pronto para revelar à humanidade minha criação. Então hoje, 4 de setembro de 2010,  o Magrite Maker foi testado pela primeira vez nas ruas, nas condições mais adversas. Marcadamente, porque sem dúvidas, seu uso causou perturbações sérias na própria estrutura molecular da realidade, gerando o efeito que fez a porta da rua, que nunca antes se fechara sozinha, fazê-lo. Subitamente seu criador, perplexo e despreparado se encontra nas ruas, tendo em sua possessão apenas o Magritte Maker e a máquina fotográfica que usaria para registrar o experimento.

Cinco minutos atrás, de dentro de sua casa, o final de tarde parecia perfeito para testar sua invenção. Segurando em suas mãos o invento e a máquina fotográfica,  foi até a rua por um momento e colocou o Magritte Maker contra o céu do final de tarde dourado. Satisfeito com o que via (no que para um observador desavisado, pareceria uma cena um tanto ridícula), bateu a foto. A memória lhe falha agora, se foi nesse momento exato ou um instante depois, que sua porta da rua bateu,   com o drama e a inevitabilidade de uma guilhotina. E a certeza agonizante que a chave estava lá dentro.

Sem dinheiro, sem telefone, um frio do cão na rua, nosso herói se lança pelas ruas em uma epopéia para recuperar uma cópia da chave. Épico.

Poupo o leitor dos detalhes de minha saga. Mas, como todo inventor consciente,  o evento me trouxe a sobriedade para pensar sobre os perigos de minha invenção e se não seria melhor para a humanidade mantê-la na obscuridade. Talvez ao tentar captar digitalmente um falso Magritte analógico, um choque anafilático  ambiental tenha ocorrido. Os Magrittes produzidos anteriormente a olho nu, pelo seu criador e por alguns visitantes, não causaram nenhuma alteração na realidade, a não ser um pequeno prazer estético inocente.  O sorriso interior de uma piada surrealista.

Mas a extrema improbabilidade causal de recriar digitalmente um falso Magritte, gerado pela natureza e enquadrado pelo homem, pode ter afetado a complexidade do sistema de forma súbita. São especulações, claro. Impossível reproduzir as circunstâncias do experimento.

Mas depois disso, parece sábio manter o MM na reclusão e segurança do estúdio, limitado à criação ocasional de Magrittes intangíveis e irreproduzíveis, transitórios por natureza.

 

Odyr

4 de Setembro de 2010

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