The strong, silent type

For no particular reason, except having stumbled upon these drawings, lost in my disk, here is some Hemingway love.

Encontrei esses desenhos hoje, perdidos no computador. São de algum tempo atrás, quando me convidaram para ilustrar uma matéria sobre Hemingway. Parecia perfeito pra mim, são muitos anos de amor pelo barbudo, mas falhei miseravelmente em conseguir chegar a uma imagem definitiva. Lembro que me ajudou a reforçar minha percepção de que não sou um ilustrador, mas um quadrinista – minha tendência é narrativa, é querer contar histórias com as imagens. Ou pelo menos me consolei assim.

Talvez tenha sido a dificuldade de escolher um Hemingway. O canastrão, festivo, mitômano, largerthanlife? O homem que escrevia como se sua vida estivesse em jogo? O suicida de uma família de suicidas? (Até hoje a simples menção de Ketchum me entristece – vai ser para sempre a cidade onde ele se matou.)

Já tive muita vontade de fazer quadrinhos sobre Hemingway. Que vida.  Que personagem. Mas talvez eu acabasse como ele – desesperado quando seus livros fugiam do controle. Guerras, touradas, safáris, Paris, Espanha, Cuba, estrelas de cinema – como contar tudo isso? Sem falar em fatos que parecem fantásticos demais para ser verdade – Hemingway era o que os americanos chama de accident-prone: alguém com uma tendência incrível em se envolver em acidentes. A lista inteira compilada seria hilária – mas para ficar em um exemplo só, o que dizer de alguém que tem um acidente aéreo e quando é resgatado, o avião de resgate também cai? E ele sobrevive aos dois acidentes.

Esse trecho é de Islands on the stream – é um trecho curioso, porque ele é um pintor nessa história e descreve o ofício de escrever de fora – Roger era o amigo escritor, com as angústias e complexidades da profissão.  Hemingway tinha um amor tremendo pela pintura e ela entra como uma substituição idílica para ele aqui, algo que se faz com as mãos – enquanto a escrita era algo  “blunted and perverted and cheapened and all of it in his head”.  Embora, claro, conhecendo pintores como ele conhecia,  ele devia saber que isso também podia acontecer com a pintura. Mas é um lindo trecho, tem um pouco de todas as grandes coisas dele – a síntese extrema, a aparente simplicidade esculpida com tremendo esforço, o uso da repetição e da colocação de palavras em lugares estranhos e um sentimento difícil de descrever, mas que ele sempre inspira – um drama contido, orgulhoso, lírico. O elogio da bravura quieta. The strong, silent type. Grace under pressure. Either he can do it or he can´t.

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3 thoughts on “The strong, silent type

  1. Tenho um livro chamado Ponto de Ruptura, sobre a amizade de Heminghway com o escritor John dos Passos, e sobre como a personalidade dos dois e os eventos exteriores (era a época da Guerra Civil Espanhola) destruiram a amizade.
    Tem uma imagem que não me sai da cabeça. Heminghway estava hospedado em um hotel onde explodiu uma bomba que destruiu um dos corredores. Haviam diversos jornalistas no hotel, e todos acordaram de madrugada, correndo para fora do hotel. Mais de uma pessoa conta ter visto Heminghway, andando de roupão de dormir, dentro do hotel, na direção contrária à multidão,, em direção ao local onde havia explodido a morte. Essa imagem para mim é a síntese de uma das facetas do escritor: o fascínio pela morte.

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